Obra Coreográfica
Sinopse
Em diálogo com o Mestre, a bailarina reflete sobre 9 palavras: Corpo, Respiração, Consciência, Respeito, Estrutura, Paciência, Beleza, Alegria, Dança. Numa meditação em movimento, e construindo um diálogo intimista com a consciência do seu próprio corpo como instrumento da sua inspiração, ao mesmo tempo que veículo da sua expressão criativa, a bailarina habita em consciência o gesto que cria e que ao mesmo tempo a recria. Sem artifícios que a afastem do seu processo de observação e de relação com a simplicidade objetiva do gesto/corpo/ser/ação, propõe que a tela de fundo do movimento seja sempre o corpo e a sua consciência, a constante ação. O simples, despido de artifícios e ilusões, despido de processos mentais desnecessários, é a verdade daquele que toca a verdade dos demais (Duarte, 2016, p.1).
O Corpo é o protagonista desta obra coreográfica. A consciência com que o habitamos, respeitamos, potencializamos, e a forma como transcendemos os nossos limites e evoluímos, é o seu objeto de reflexão. A Dança e o Yoga encontram-se entretecidos em “Inspiração”, revelando uma forma de expressão artística personalizada, a Dança Extemporânea, que faz o elogio da beleza, e realça a dignidade e a simplicidade do gesto/corpo, tendo como base a respiração e a harmonia do ser como um todo. É uma meditação em movimento, para além do tempo, do espaço e do ego, onde, através da Dança, a estrutura e a organização do corpo são a base da criatividade, da observação e da vivência.
Inspiração: Espetáculo de Dança e Yoga
Conceção, Coreografia e Interpretação: Raquel Oliveira
Textos: Judite Duarte
Figurino, Ambiente Sonoro e Voz: Raquel Oliveira
Duração: 45 minutos sem intervalo
Principais Características do Movimento.
Neste item apresenta-se uma descrição sumária, com fotografias, das características principais dos movimentos utilizados na obra coreográfica Inspiração: verticalidade, sincronização do movimento com a respiração, movimento leve, delicado e tranquilo, linhas retas, linhas ondulatórias, posições das mãos, tipos de rotações e posições dos pés.
Verticalidade
A característica mais evidente da maioria das posições e movimentos realizados na obra coreográfica Inspiração é a verticalidade. O movimento tem como ponto de partida as posições (asanas) de equilíbrio e de lateralidade do Yoga que são praticados de pé, e evolui a partir dessa base, raramente recorrendo a posições que criem relação entre o corpo e o solo, sendo intencional a ligação etérea do corpo com o “ar”, o elemento da inspiração.

Copyright [2017] by Raquel Oliveira.
Respiração
A sincronização do movimento com a respiração está patente em todos os momentos da obra coreográfica, ou seja, a bailarina está sempre consciente da sua respiração respeitando a marcação estipulada durante o processo de composição das coreografias. De uma maneira geral, nos movimentos ascendentes inspira-se (figura a), e nos movimentos descendentes expira-se (figura b); e nos movimentos laterais, inspira-se para um lado e expira-se para o outro.

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Leveza
No geral os movimentos são leves, delicados e tranquilos, simbolizando a ausência de esforço e o respeito pelo corpo. A maior parte dos movimentos são lentos representando a prática consciente do Yoga.

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Linhas Retas
As linhas retas que se observam em vários movimentos ao longo da obra coreográfica simbolizam o foco, a atenção, a consciência, a força, o equilíbrio dinâmico e a segurança do ser.

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Linhas Ondulatórias
As linhas ondulatórias observadas ao longo da obra coreográfica representam a adaptação à mudança, e o movimento da água e do ar. Os movimentos ondulatórios são realizados maioritariamente pelos braços, no entanto, também é possível observar este tipo de movimentos ao nível do tronco nos blocos Respeito, Alegria e Dança.

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Mãos
A posição das mãos tem uma marcação muito específica. De uma forma geral, quando os cotovelos estão alongados, as mãos estão em posição de consciência Yoga, alongadas e com os dedos juntos (figura a), e quando os cotovelos estão fletidos, mesmo que apenas ligeiramente, as mãos estão descontraídas em posição de consciência de entrega e aceitação (figura b).

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Voltas de Passos
Existem várias voltas na obra coreográfica que são realizadas de formas distintas. A maioria são Voltas de Passos, que podem ser executadas no lugar (em torno de um eixo vertical) ou numa trajetória circular ou em linha reta. São sempre realizadas com a planta do pé sempre em contacto com o solo, nunca subindo às meias pontas. Podem ser observadas nos blocos Corpo, Consciência, Respeito, Paciência, Alegria, Dança e Final.

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Voltas Cruzadas
As Voltas Cruzadas, em menor número, podem observar-se nos Blocos Respeito, Paciência, Dança e Final e são feitas com a técnica de rotação cruza-descruza-cruza. Uma perna cruza, normalmente por trás da outra (figura a), o corpo roda sem levantar os pés do chão - para o lado da perna de trás (figura b), até ficar novamente com as pernas cruzadas (figura c).

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Volta 1 Apoio
No poema Pena (figura a) e no poema Final (figura b) a bailarina faz uma volta realizada apenas sobre um apoio e sempre com a planta do pé em contacto com o solo.

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Volta de Compasso
No poema Tempo a bailarina faz a única Volta de Compasso existente na obra coreográfica. Esta volta tem o nome de compasso porque é executada com a perna de apoio fixa, neste caso a direita, enquanto a perna livre vai “desenhando” um círculo no solo. Nesta coreografia a volta é realizada no sentido dos ponteiros do relógio aludindo ao movimento dos ponteiros, tal como os braços.

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Pés Paralelos
A maior parte das posições e movimentos da obra coreográfica são realizados com o pé todo em contacto com o chão, evitando o recurso às meias pontas e com os pés em posição paralela.

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Rotação da Perna
Em algumas sequências de movimentos uma perna faz rotação externa - en dehors - e a outra aponta para a frente - en dedans, ou paralelo.

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